terça-feira, 9 de outubro de 2012

Presidente do Irã parabeniza 'irmão' Chávez por vitória na Venezuela (Postado por Lucas Pinheiro)

 O presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, comemorou a vitória de seu "irmão" Hugo Chávez na eleição presidencial venezuelana, informou nesta terça-feira (9) a agência iraniana Isna.

"Parabenizo sinceramente você e a grande nação da Venezuela pela organização de uma eleição apaixonada e por sua reeleição", escreveu o presidente Ahmadinejad.

"A República Islâmica do Irã está disposta a desenvolver sua cooperação com a Venezuela", acrescentou.

Nos últimos anos, Irã e Venezuela, que compartilham suas posições contra os Estados Unidos, desenvolveram muito suas relações.

O presidente Chávez, reeleito no domingo para um novo mandato de seis anos, já realizou 13 visitas ao Irã desde o início de sua presidência, em 1999.

O presidente Ahmadinejad, que deve deixar o poder em 2013 após seu segundo mandato, foi seis vezes à Venezuela desde 2005.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Reeleito, Chávez apela à oposição por 'trabalho conjunto' na Venezuela (Postado por Lucas Pinheiro)

 O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, reeleito neste domingo (8) para um quarto mandato, lançou um apelo à oposição para que todos dialoguem e trabalhem em conjunto "pela Venezuela bolivariana".

Chávez agradeceu aos "quase 30 milhões de venezuelanos" pelo "dia histórico" e pela "altíssima participação de mais de 80%" nas urnas, em que, segundo ele, não foram registrados incidentes graves.

Ele também felicitou a oposição por ter reconhecido "a verdade, a vitória do povo".

"Foi realmente, como vínhamos dizendo nos últimos meses, uma batalha perfeita, democrática. Graças a Deus e à consciencia de nosso povo, não houve nenhum acontecimento hoje para lamentar", disse.

 "Hoje demonstramos que nossa democracia é uma das melhores democracias do mundo. E vamos seguir demonstrando."

Chávez superou o opositor Henrique Capriles Radonski após uma disputada campanha e garantiu novo mandato, o seu quarto consecutivo, até 2019, no qual prometeu "radicalizar" o programa socialista que vem implantando há 14 anos no país, dono das maiores reservas mundiais de petróleo.

 O atual presidente teve 54,42% dos votos (7.444.082), contra 44,97% (6.151.544) do oponente, com mais de 90% dos votos apurados, segundo Tibisay Lucena, presidente do Conselho Nacional Eleitoral. O comparecimento às urnas foi de 80,94%.

"Obrigado ao meu amado povo! Viva a Venezuela! Viva Bolívar!", disse o presidente em sua conta no Twitter após o anúncio oficial.

 No discurso, Chávez comentou sobre as ligações que recebeu de líderes da América Latina, como Cristina Kirchner, da Argentina, e Raúl Castro, de Cuba.

"Peço a Deus que me dê saúde para seguir fazendo mais e melhor pelo povo venezuelano", disse. "Vamos ser a cada dia melhores, responder cada vez com mais eficácia aos anseios do povo. Me comprometo com vocês a ser, cada dia, um melhor presidente."

Capriles
Pouco depois da divulgação do resultado, o candidato derrotado Capriles, em entrevista, parabenizou Chávez pela vitória e agradeceu aos mais de 6 milhões que votaram na oposição, dizendo-se "orgulhoso" pelo resultado.

O presidente Chávez, se cumprir o mandato obtido neste domingo pode completar 20 anos no poder.

Partidários de Chávez já comemoravam nas ruas, em frente ao palácio, em Caracas, antes mesmo do anúncio oficial.

 Pouco antes do anúncio oficial da reeleição do presidente, Chávez e Capriles haviam pedido "paciência" na espera dos resultados oficiais e respeito ao resultado das urnas.

Os postos de votação da Venezuela continuaram abertos após a hora prevista para o fechamento, 18h locais (19h30 de Brasília), por conta das filas. O atraso no fim da votação era previsto pelo conselho eleitoral e aumentou a expectativa sobre o resultado.

Nas eleições presidenciais de 2006, o comparecimento havia ficado em 75%.

Contraditórias, as pesquisas de bocas de urna -proibidas pela legislação eleitoral - indicavam vitória tanto para o presidente Chávez como para Capriles.

Quase 19 milhões de venezuelanos estavam habilitados para votar neste domingo.

Chávez votou em Caracas por volta das 12h locais, acompanhado por personalidades da esquerda e prometendo "reconhecer os resultados" da eleição. No mesmo tom, Capriles, também prometeu respeitar o resultado das urnas.

 Expectativa internacional
As eleições na Venezuela geraram grande expectativa na América Latina e no Caribe, onde Chávez exerce uma forte liderança regional graças ao petróleo barato que vende e às oportunidades de negócio que oferece.

Também era grande a expectativa nos EUA, país ao qual Chávez tem feito oposição na região, apesar da manutenção da venda de petróleo.

Chávez, de 58 anos, vinha se esforçando, nos últimos meses, em se mostrar revitalizado após o tratamento de um câncer, detectado no ano anterior, e sobre o qual jamais deu muitos detalhes.

A doença o obrigou a passar longos períodos longe da cena pública, tratando-se em Cuba.

Já Capriles, de 40 anos, fez uma campanha mais agressiva, visitando mais de 300 cidades e seguindo um modelo inspirado no governo brasileiro, conciliando os setores público e privado, como explicou em entrevista ao G1.

Durante a campanha, o oposicionista comparou seu embate contra Chávez com a luta de Davi contra Golias, por conta do controle de recursos públicos e dos meios de comunicação estatais pelo presidente, denunciados pela oposição.

Na última eleição, em 2006, a oposição, com Manuel Rosales, havia perdido feio para Chávez, que obteve 62% dos votos então.

Fiscalização
Nesta eleição, os partidos políticos colocaram cerca de 200 mil fiscais para controlar o processo.

O sistema eleitoral está quase 100% informatizado, a não ser no exterior, onde os votos são manuais. Cerca de 100 mil pessoas podiam votar fora do país.

Especialistas do Centro Carter, dos EUA, afiançaram nesta semana que não havia chance de fraude e asseguraram que o sigilo do voto era garantido pelo processo.

Mais de 200 observadores internacionais, entre eles uma delegação da Unasul, acompanharam o processo de votação.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

ÀS VÉSPERAS DAS ELEIÇÕES, PESQUISAS NA VENEZUELA DIVERGEM SOBRE O VENCEDOR



Chávez aparece com 10 pontos de vantagem e em empate com adversário.
Para diretor de instituto venezuelano, eleitores 'nem-nem' serão decisivos

A três dias das eleições na Venezuela, tanto os partidários do presidente Hugo Chávezquanto do principal nome da oposição, Henrique Capriles, podem reivindicar a vitória de seus candidatos segundo pesquisas.

A maioria das últimas sondagens divulgadas aponta uma vitória do presidente que, no poder há quase 14 anos, concorre ao terceiro mandato, com vantagens que vão de 30 a 10 pontos. As mesmas pesquisas, no entanto, também mostram um crescimento de Capriles, e há institutos que veem uma ligeira vantagem do oposicionista.
Combinação de fotos mostra o presidente Hugo Chávez e o opositor Henrique Capriles em atos de campanha em setembro (Foto: Leo Ramirez e Juan Barreto / AFP)Combinação de fotos mostra o presidente Hugo Chávez e o opositor Henrique Capriles em atos de campanha em setembro (Foto: Leo Ramirez e Juan Barreto / AFP)


O respeitado instituto Datanálisis mostra que diminui a distância entre Chávez e seu principal adversário. No entanto, a diferença ainda é de 10 pontos, segundo a última pesquisa pública divulgada, em 30 de setembro.
“O único candidato que cresceu durante a campanha foi Capriles”, disse ao G1 o diretor do instituto, Luis Vicente León. Para o pesquisador, a divergência de números se dá pelo grande número de indecisos ou que não respondem à pesquisa, chamados no país de "nem-nem" (nem Chávez, nem Capriles).

“Os métodos de pesquisa são importantes, mas a diferença entre os institutos sérios se deve principalmente a isso”, afirma León, para quem os votos dos "nem-nem" serão “cruciais” no próximo domingo, já que superam os atribuídos aos candidatos.

Para Luis Christiansen, presidente do Consultores 21, as pesquisas mostram que os venezuelanos estão “extremamente polarizados”. A última pesquisa do instituto trouxe uma pequena vantagem de Capriles, que apareceu com 48,9%, ante 45,7% de Chávez.

“Quase metade dos eleitores parecem comprometidos com o presidente Chávez, apesar de certas considerações, como as dúvidas sobre seu câncer, capacidade e desempenho. Por outro lado, outra metade parece comprometida com Capriles, por suas soluções concretas para os problemas que se opõem a Chávez”, disse Christiansen, segundo o diário “El Mundo”.
Fotos mostram caminhadas de eleitores de Capriles e Chávez, em Caracas (Foto: Leo Ramirez e Juan Barreto / AFP)Fotos mostram caminhadas de eleitores de Capriles e Chávez, em Caracas (Foto: Leo Ramirez e Juan Barreto / AFP)


Entre os “problemas” citados pelo pesquisador que influenciam no voto anti-Chávez estão a insegurança e a inflação, enquanto as “missões” [programas sociais do governo] se converteram no grande trunfo do presidente contra o opositor.

FraudeOutros levantamentos mostram que os eleitores confiam no Conselho Nacional Eleitoral –a despeito desconfiança de oposicionistas sobre a independência do órgão responsável pelas eleições no país.

Segundo a pesquisadora Consultores 30.11, 72,9% dos 3 mil consultados disseram confiar no trabalho no CNE, enquanto o ICS (International Consulting Services) indicou um número ainda maior: 76,6% do eleitores entrevistados.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012


Opositor aposenta discurso neoliberal para tentar derrotar Chávez

Henrique Capriles promete dar continuidade às políticas sociais do governo de seu rival.

03 de outubro de 2012 | 14h 30

Na Venezuela da "revolução bolivariana", qualquer menção a um projeto neoliberal pode custar votos ao candidato que pretenda ocupar a cadeira presidencial. Após anos de combate ideológico contra a administração chavista, parte da coalizão de oposição entendeu que não deve estar, ao menos na retórica, à direita de Hugo Chávez.
Henrique Capriles, o mais duro rival que Chávez já enfrentou em seus quase 14 anos de governo, aposta em convencer a população que seu passado conservador ficou para trás. Sua principal estratégia está na promessa de dar continuidade às políticas sociais de Chávez, antes combatidas pela oposição, e realizar uma "gestão eficiente". missões (programas sociais) são de vocês, são do povo. Os programas sociais não pertencem a quem esteja governando", disse Capriles em comício no Estado de Bolívar, no sul do país.
Já Chávez acusa seu rival de ocultar a pretensão de aplicar um programa de ajuste macroeconômico apelidado de "pacotão neoliberal" que, diz o presidente, poderia levar a Venezuela a uma "guerra civil".
"É assombroso o cinismo dos opositores dizendo que o paquetazo (pacotão) é falso", disse Chávez em comício no Estado de Miranda. "Agora prometem manter as missões. É um desespero total."
O líder venezuelano chegou a ordenar a elaboração de um panfleto chamado "Pacotão Neoliberal Made USA" - em que aparece o programa de governo da coalizão Mesa de Unidade Democrática (MUD) - para distribui-lo em seus comícios.
No panfleto detalha-se, entre outros pontos, que o programa opositor prevê a redução da participação do Estado na economia, a devolução de terras destinadas à reforma agrária aos antigos proprietários e a eliminação do Fundo de Reservas Especial (Fonden), visto como o pote de ouro que sustenta os programas sociais.
Capriles assinou um documento firmado por todos os pré-candidatos opositores à Presidência que incluía a proposta, mas tem se distanciado da ideia.
'Terreno de Chávez'
Especialistas consultados pela BBC Brasil afirmam que o jogo político na Venezuela atual é disputado "no terreno de Chávez".
"Um candidato que se proclame de direita, liberal, nunca terá êxito na Venezuela", afirma Oscar Schemel, diretor do instituto de pesquisa Hinterlaces. "Mesmo não sendo chavista, a maioria da população respalda o modelo de inclusão social."
Capriles, o jovem governador que desafia Chávez, se autodefine como progressista. Sua origem, no entanto, está ligada aos partidos de centro-direita Copei e Primeiro Justiça, do qual foi um dos fundadores.
A coalizão opositora que dá suporte à candidatura de Capriles inclui uma gama heterogênea de políticos da ala ultraconservadora, da social-democrata e da social-cristã. Conta também com o apoio de megaempresários do ramo da alimentação e do mercado financeiro.
O desafio de Capriles, de acordo com Schemel, é convencer a população que, em um eventual governo, não eliminará os benefícios da era Chávez. "Os venezuelanos não querem mudanças, e sim que o modelo de inclusão funcione", avalia Schemel.
Em reunião fechada com seus clientes, a consultoria Datanalisis afirmou que a estratégia do governo de propagandear o "pacotão neoliberal" contra seu adversário funcionou para "fortalecer" os votos da base aliada chavista das classes D e E, grupo que Capriles pretende conquistar.
O coordenador nacional da campanha opositora, Leopoldo López, disse à BBC Brasil que as acusações são parte do "desespero" governista.
PDVSA social
López também distancia Capriles do programa de governo da MUD. "A proposta de Henrique é a que ele defende nos comícios", disse o coordenador da campanha.
Mas ele confirma que as atividades do Estado nos setores considerados estratégicos, como saúde e educação, devem ser revistas e propõe a participação privada nessas áreas.
Sobre a atuação da estatal petroleira PDVSA, coração da disputa pelo poder na Venezuela, López afirma que a empresa deverá abandonar seu braço social para dedicar-se fundamentalmente à extração petroleira.
"A PDVSA faz casas, dá alimentos, tem uma quantidade de atribuições que não lhe correspondem. A PDVSA tem que dedicar-se a uma só coisa, que é ser uma empresa forte nos hidrocarbonetos", afirmou López, um dos homens fortes da campanha de Capriles.
Esse "braço social" da PDVSA é uma das bandeiras defendidas pelo governo para apontar uma distribuição da renda do petróleo.
Na era Chávez, a pobreza na Venezuela caiu mais de 20%, de acordo com a Cepal, e o país passou a registrar a menor desigualdade entre ricos e pobres na América Latina, de acordo com relatório da ONU, com 0,41 no índice de Gini.
Em 1999, quando Chávez assumiu o poder, o índice era de 0,46 (o Brasil tem índice 0,56; quanto mais próximo a um, maior é a concentração de renda per capita).
Para críticos, porém, essa distribuição de renda veio acompanhada do enfraquecimento das instituições venezuelanas.
Modelos Lula e FHC
Emular o "modelo Lula" foi outra estratégia utilizada por Capriles para atrair o voto de setores populares. Isso mudou quando o ex-presidente enviou uma mensagem de apoio à Chávez.
Desde então, Capriles passou a reivindicar o "modelo brasileiro" originado na administração de Fernando Henrique Cardoso.
Católico fervoroso, Capriles diz que derrotará a Chávez "assim como Davi derrotou a Golias".
Em pesquisas de intenção de voto realizadas por sete diferentes institutos, Chávez aparece à frente para as eleições de domingo. Se for reeleito, o presidente venezuelano terá caminho aberto para completar 20 anos no poder. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.